Congresso moveleiro

Onde comemos é onde convivemos

Dispositivos inteligentes são uma realidade próxima do mercado. Avanços tecnológicos estão cada vez mais presentes em feiras e mostras de mobiliário pelo mundo em busca de aprovação popular e comercial, como a bancada/cooktop por indução de calor apresentado pela Binova na última edição do Salão do Móvel de Milão. Como ficou evidente nesta feira e na Casa Cor São Paulo 2016, com o ambiente da Tramontina, a cozinha é um cômodo que está com seus dias contados. Ou melhor, será cada vez menos cozinha e cada vez mais living.

Plano aberto

A cozinha está mudando e, com isso, também está transformando o ato de cozinhar. Segundo o arquiteto Beto Faria, este movimento em direção a cozinhas abertas, conjugadas à sala de jantar, é um fato bem recente e ainda existe certa resistência à ideia. "A gente trabalha com arquitetura há muitos anos, e eu acho que isso é moda. É bem provável que sejam corte de custos das construtoras. Mas o desafio maior ainda é convencer o cliente que cozinhas abertas são uma solução espacialmente interessante", opina.

O arquiteto de interiores Gerson Dutra de Sá concorda que esta mudança teve seu início com o mercado imobiliário, mas que hoje é bem vista pelo público. "Eu adoro esta integração, uma casa panorâmica. Fica tudo mais bonito. Começou com os novos apartamentos, de 50, 60 até 120m², com ambientes abertos para ganhar mais espaço e as pessoas entenderam isso como moderno. Hoje não é mais o living, agora é o lounge", explica.

A arquiteta Tatiana Otta acredita que este é mais um movimento social, uma necessidade dos jovens em busca de relações interpessoais mais humanizadas. "Acho que é uma vontade das pessoas de conviver mais. A gente trabalha com esse tipo de projeto desde 2007 e, até algum tempo atrás, cozinhas abertas não eram muito bem vistas, a gente tinha que explicar as vantagens para os clientes, mas hoje as pessoas não querem mais viver isoladas", comenta.

Projeto

"Antes de tudo, a cozinha tem que ser funcional para o cliente", aponta Tatiana Otta. De fato, primeiramente é preciso analisar as necessidades do cliente, seus gostos e limitações. "Cada projeto é único e cada cliente tem uma necessidade. Alinhar isso com um espaço predefinido ou um ambiente totalmente novo é ótimo para exercitar a criatividade", completa a arquiteta.

Contudo, Dutra de Sá reforça que não basta saber de projetos, mas as peculiaridades do ambiente. "Para projetar uma cozinha é preciso estudar e entender qual o fluxo de uma cozinha e o desejo do cliente para alinhar isso com os dispositivos. Não adianta fazer um cooktop em uma bancada central de

uma cozinha aberta sem uma coifa. Vai encher a casa inteira de gordura", explica o arquiteto de interiores, e completa "Primeiramente uma cozinha tem que ser prática. A beleza é consequência disso."

Segundo a arquiteta responsável pelo Studio Bontempo, Gradiela Garbini Valezi, o maior desafio ao se projetar uma cozinha é traduzir as necessidades e o estilo de quem irá utilizar esse ambiente, e para isso é necessário conhecer os hábitos e a rotina do cliente. "Nesse contexto, os móveis planejados possuem as melhores soluções de produtos, que auxiliam na organização e distribuição do espaço conforme sua função, otimizando, assim, trajeto e tempo", comenta. Quanto à estética, Valezi afirma que a beleza do ambiente está presente no design dos produtos e na escolha de materiais, acabamentos e cores.

Design ocultista?

Geralmente, os ambientes frios são os cômodos que mais destoam do resto da casa. Porém, enquanto banheiros apresentam certas limitações (e praticamente nenhum motivo) para serem considerados espaços de convivência, as cozinhas tendem a ficar cada vez mais abertas e integradas às salas de estar e jantar. Por um lado uma tendência apresentada por questões mercadológicas do movimento imobiliário, por outro, o ato de cozinhar vem se tornando uma prática socializante em tempos de isolamento digital.

Conectada e, muitas vezes, substituindo a sala de jantar, os elementos que compõem uma cozinha podem apresentar certa harmonia entre si dentro de um ambiente isolado e pragmático. Contudo, quando a cozinha está aberta ao resto da casa, dificilmente a geladeira irá compor um par visual com uma poltrona. Assim, surge uma necessidade estética de ocultar os eletrodomésticos dentro de armários e gabinetes para que se crie não apenas um ambiente social, mas confortável com design limpo e útil em consonância com o resto da casa. Ao menos é o que foi mostrado pela Todeschini e Studio Guilherme Torres, na Casa Cor São Paulo, uma 'cozinha envergonhada'. Porém, não parece
ser a opinião geral.

Dos arquitetos e designers entrevistados pelo Radar, a maioria acredita que os utensílios e eletrodomésticos têm apresentado um design mais arrojado e agradável, saindo do pragmatismo e também se tornando objetos de decoração. "Eu sou contra esconder os eletrodomésticos. Hoje existem eletros que são lindos. Por que você vai esconder uma geladeira Gorenje? Eu vi coifas no Salão do Móvel de Milão deste ano que eram verdadeiras obras de arte. Não há motivo para esconder os eletros. O forno, o micro-ondas e o cooktop hoje são apenas uma placa preta, não tem o que esconder", afirma o arquiteto de interiores Gerson Dutra de Sá.

Tatiana Otta concorda, dizendo que "Os eletros hoje são bem mais bonitos, com muitas opções de cores, acabam fazendo parte da decoração. Por outro lado, o arquiteto Beto Faria acredita que a "cozinha não cozinha" é uma solução esteticamente interessante por ser um espaço aberto, além de ser uma boa alternativa para eletrodomésticos mais barulhentos não competirem com a TV ou sistema de som, mas pondera, dizendo que "atualmente os eletros estão com uma cara melhor para serem expostos."

Tecnologia

Apesar de embutidos ou disfarçados, os eletrodomésticos estão mais integrados física e virtualmente com outros elementos tanto dentro da cozinha quanto em outros cômodos, por exemplo, aplicativos que detectam quando o usuário acorda e ligam a cafeteira automaticamente. Para Dutra de Sá, a cozinha mudou muito seu aspecto nos últimos anos. "Hoje tudo está acoplado, pode ser preparado a distância. Existe uma otimização de funções no cozinhar", comenta.

Para a arquiteta responsável pelo Studio Bontempo, Grasiela Garbini Valezi, os avanços tecnológicos só vêm a agregar tanto para o arquiteto quanto para o cliente. “A cozinha além de ganhar em

funcionalidade passa a ganhar em estilo e design, transformando-se em um ambiente de destaque e vivência social”, destaca.

Mas, independentemente de uma cozinha oculta ou completamente à mostra, Beto Faria afirma que a função da arquitetura e do design é criar soluções para uma vida prática. "Toda essa tecnologia só vem a contribuir, elas somam às soluções que já existem"

High End

No mercado de ultra luxo e tecnologia, recentemente a butique italiana Pininfarina lançou a cozinha Aria, em conjunto com a Snaidero. Flertando em diferentes áreas da engenharia automobilística, naval e aeronáutica, a marca italiana traz o que há de mais avançado nesses campos para a cozinha. Não se engane, estamos falando da mais pura inovação, qualquer outra coisa que apareça no mercado muito provavelmente teve seu início na Pininfarina.

"Cross-fertilization [fertilização cruzada, em português] é nossa palavra-chave", afirmou o atual CEO da marca, Paolo Pininfarina para o Radar Móbile. "Nossa habilidade de levar a inovação de um setor para outro", comenta. E a cozinha Aria é o exemplo mais recente, trazendo tanto materiais quanto o design dos setores automobilístico, naval e aeronáutico. "O resultado é a mistura perfeita entre design e tecnologia de ponta, inovação e aconchego doméstico", conclui Pininfarina.

A estrutura principal da cozinha Aria, como elemento icônico principal, é o formato em asa, aerodinâmico e talhado. O uso de fibra de carbono deixa o móvel leve e altamente resistente. Porém, comenta o CEO, o segredo do design está no esmalte de revestimento: "após a aplicação de uma liga de cobre, é passada uma única demão que exalta uma fina textura no acabamento." Já as portas são tratadas com revestimento com Polysil (espécie de silicone), feito com nano-moléculas, trazendo um toque fresco e suave, além propriedades a prova de risco, repelente de sujeira e de marcas de dedo. "É uma tecnologia naval utilizada pela primeira vez no segmento de cozinhas", complementa Pininfarina.

Palavra final do Mestre Paolo Pininfarina:

"O desafio é sempre o mesmo: ter inspirações de requisitos funcionais para produzir um design com personalidade forte. A parceria entre a Snaidero e a Pininfarina é o gatilho para a inovação, pois acontece pela contaminação entre duas entidades fortes e diferentes; esse é o principal motivo do nosso sucesso."

"A Internet das Coisas será um dos principais atributos de cozinhas no futuro. A Domótica [ou automação doméstica] é proposta desde os anos 1990, mas era ainda muito cedo, antes da internet. Isso se tornará real em um futuro próximo, assim como carros sem motoristas no setor automotivo."

"Quando eu desenhei o modelo Ola, no início da década de 1990, nós começamos a considerar a cozinha como um espaço social e a Snaidero usou o slogan 'la vita passa per la cucina'. Atualmente, a cozinha aberta não é mais uma tendência, é uma realidade do mercado. A cozinha se torna um pedaço do ambiente de convivência."

Bancadas que permitem recarregar aparelhos sem fio e superfícies texturizadas

Possibilidades futuras

As cozinhas são um dos ambientes mais valorizados nos projetos de design de interiores. A arquiteta e designer de interiores Fernanda Hoffmann conta que recebe muitos pedidos de projetos para reforma de cozinhas. Segundo ela, o material mais utilizado e aceito para se revestir bancadas de cozinhas é o granito, que traz vantagens e desvantagens.

Para corrigir as limitações do granito, chegaram ao mercado revestimentos industrializados a base de quartzo. Atualmente, há bancadas e revestimentos resistentes à umidade, à proliferação de bactérias, a riscos e a manchas. Além da função, os materiais aliam estética e tecnologias.

"Mármores industrializados são mais duráveis, mas apresentam limitações como não possibilidade de uso em área externa. O Deckton, da Consentino, é o material mais evoluído para bancadas de cozinhas. Há ainda o inox, muito usado em cozinhas industriais mas que migrou para as residências", destaca Fernanda Hoffmann.

Corian®: versatilidade e design ilimitado

Comercializada no Brasil desde 1989 pela DuPont, a superfície sólida Corian® agora também tem seu showroom nos Estados Unidos, o Corian® Design Studio, em Nova York e na Filadélfia, que foram inaugurados para receber arquitetos, designers e clientes a fim de mostrar todas as possibilidades de design que o Corian® oferece.

Segundo Leandro Rosa, líder de Vendas América Latina DuPont Corian®, a superfície é um material muito versátil e que pode ser usado de diferentes modos, como aplicações em bancadas, cubas de cozinha e peças como mesas, cadeiras, estantes e armários. "Corian® é reconhecido pela sua capacidade de design ilimitado, podendo ser moldado em três dimensões, com curvas, cantos definidos e formas orgânicas, e também recortado e combinado com outros materiais para formar peças ilimitadas", comenta Rosa.

Com tantas opções de design, o Corian® consolidou-se como uma superfície perfeita para cozinhas, principalmente por ser funcional e higiênica. Com o Corian®, é possível unir móveis, bancadas e cubas de um mesmo material em emendas impercebíveis, ao mesmo tempo em que o consumidor ganha tempo com a limpeza, devido à resistência a manchas e a não porosidade dessa superfície sólida. Detalhes que fizeram o Corian® ser a superfície selecionada pela arquiteta Daniela Dantas para formar a ilha da Cozinha do Chef, fabricada pela Árbor Móveis. Graças às vantagens proporcionadas pelo Corian®, a bancada central da cozinha é extremamente resistente ao uso diário e impacto, e ainda pode ser lixada quando sofrer desgaste, resgatando toda a aparência original da peça.

Corian® Charging Surface

Buscando tornar a superfície sólida Corian® uma solução cada vez mais completa, a DuPont agora também oferece mais um diferencial: o Corian® Charging Surface, uma maneira de carregar dispositivos como celulares e tablets sem o uso de cabos.

O Corian® Charging Surface funciona por indução eletromagnética, tecnologia a qual boa parte dos celulares já são adaptados. Quando não é o caso, o consumidor pode utilizar um anel adaptador, comercializado pela DuPont, para carregar o dispositivo. Assim, é necessário somente posicionar o celular ou tablet em um ponto de carregamento, para que a bateria seja recarregada.

Segundo Leandro Rosa, o motivo para a DuPont investir nessa solução foi facilitar o dia a dia das pessoas. "O objetivo é explorar todas as potencialidades que as novas tecnologias nos proporcionam e garantir experiências inovadoras e gratificantes aos usuários de Corian®, além de oferecer uma forma segura e eficaz de carregar aparelhos eletrônicos", afirma Rosa. Ele ainda cita que o funcionamento do Corian® Charging Surface não é afetado por contato com líquidos, mesmo em um ambiente em que exista a possibilidade de derramamento de algum deles. Isso porque o transmissor de energia se encontra embaixo da superfície, fazendo com que resíduos e líquidos não influenciem as atividades desenvolvidas pelo Corian® Charging Surface.

Inox Touch – Valcucine

Uma textura aveludada em uma chapa de inox. Esse efeito é o resultado das cozinhas da italiana Valcucine fabricadas com a tecnologia Inox Touch. As chapas de inox, recebem um polimento especial com jatos de areia e, depois disso, um acabamento em nanotecnologia. "A sensação de quem passa a mão em uma chapa de Inox Touch, é a mesma sensação de tocar um veludo", explica o diretor da Valcucine Brasil, Freddy Hermann. Além disso, o Inox Touch é mais resistente a riscos e arranhões e pode ser aplicado tanto em portas como em gavetas.

"A Valcucine está investindo nisso, em tecnologias que criam sensações nos móveis, porque entendemos que a cozinha tem se tornado cada vez um espaço de convivência e interação, então, assim como um alimento tem sabores, cheiros e texturas, queremos estender essas sensações também ao produto físico", contextualiza Hermann.

A tecnologia, exclusiva da marca, foi exposta no iSalone 2015, e devido a boa aceitação de mercado, passou a ser comercializada e chegou ao Brasil este ano. Ainda sobre os produtos da marca, Hermann destaca, "Todos os nossos revestimentos em inox recebem um polimento especial feito com verniz incolor que reduz em até 90% as manchas deixadas na superfície do móvel quando alguém toca nele". Para o futuro, a marca está apostando em tecnologias de automação.

"Já lançamos no iSaloni 2016, como processo de aceitação a cozinha sensível ao toque e movimento, na qual, as portas abrem por aproximação, a torneira liga pelo toque, as luzes acendem com movimentos de braços, entre outros", pontua o presidente.

Solução antimicrobiana

A Formica® é a única marca de laminados de alta pressão para revestimento de mobiliário e interiores com a proteção Microban®, líder em solução antimicrobiana. Móveis fabricados com os Laminados Formica® são higiênicos, fáceis de limpar e estão protegidos contra manchas perenes e mau odor causados por bactérias e bolor. A tecnologia, patenteada pela Microban International, inibe o crescimento de fungos e bactérias nos laminados preservando a aparência de novos por mais tempo. A proteção não sai com lavagens ou esfregações.

O que esperar quanto a materiais para bancadas de cozinha?

Marcia Diament, diretora de relacionamento da Caesarstone, explica que os recentes lançamentos em revestimentos para cozinha tendem a se assemelhar aos materiais naturais. Até bem pouco tempo não era possível imaginar essa possibilidade no ambiente.

"As cozinhas são projetadas para serem um ambiente sofisticado e acolhedor. A Caesarstone procura inovar sempre em suas coleções, estamos sempre antenados as novas tendências do design para atender essa demanda", afirma.

Entre protótipos e conceitos, a cozinha do futuro pretende resgatar o hábito de preparar as refeições com ingredientes frescos através de equipamentos com ar de ficção científica hard core. Conheça dois eletrônicos que elevam o hábito de cozinhar em casa ao próximo nível

Dos divertidos The Jetsons na década de 1960 ao futurista e, ao mesmo tempo possível, filme Ela (2013), são várias as narrativas na cultura pop retratando como seria a vida no futuro, especialmente a casa e o morar. No desenho animado, a empregada robótica Rosie cuida da família sem cansar. No longa dirigido por Spike Jonze, a casa inteligente é toda automatizada e gerenciada por 'Ela'- um sistema operacional, interpretado por Scarlett Johansson, tão sofisticado que se torna, literalmente, apaixonante. Em ambos os casos, a cozinha e os rituais em torno dela são impactados pela visão de futuro da época. A Radar Móbile mostra equipamentos que devem chegar às casas e restaurantes nos próximos anos, e que não ficam atrás do que já vimos na ficção.

Master Chef hi-tech

Imagine chegar em casa depois de um dia cansativo, ou durante um fim de semana preguiçoso, e poder programar a bancada da cozinha para fazer a comida com cara de jantar em restaurante e, melhor ainda, limpar tudo depois. É com esse conceito de poupar o usuário de tarefas entediantes e repetitivas que a Moley Robotics, sediada em Londres, apresenta o protótipo Moley – Uma bancada com armários, pia, cooktop e, o mais incrível, dois braços robóticos humanoides que conseguem recriar com destreza e sensibilidade os movimentos e técnicas de um chef de cozinha – mais precisamente Tim Anderson, vencedor da edição de 2011 do Master Chef britânico.

A iniciativa conta com uma equipe formada pelo matemático russo, cientista da computação e CEO da Moley Robotics, Mark Oleynik, além do professor Mark Cutcosky, da Universidade de Stanford, um conselheiro jurídico, consultor de mercado, engenheiro mecatrônico e Anderson como consultor de culinária para o repertório de habilidades do Moley.

Para Oleynik, o conceito por trás do robô cozinheiro é proporcionar ao usuário qualquer prato de qualquer culinária típica que ele queira ou precise. "Creio que o que estamos fazendo é diferente, pois não apenas servimos às pessoas, mas proporcionamos algo que não se pode ter sem essa máquina. Digamos que você consiga cozinhar 20 receitas, e eu menos que isso, outra pessoa até mais. Ainda assim são apenas alguns pratos.", argumenta Oleynik.

O Moley foi desenvolvido desde o começo como um eletrônico para a casa. O CEO da empresa explica essa opção pelo fato de, atualmente, os sujeitos estarem cercados de dispositivos sofisticados que interferem diretamente no dia a dia. No entanto, Mark não exclui usos mais específicos como: "auxílio para idosos ou pessoas com deficiência, para certos estilos de vida com pouco tempo ou em busca de uma dieta saudável, ou para pessoas com alguma restrição alimentar.", enumera. O cientista também comenta a possibilidade do robô ser empregado em hospitais com programação para preparar refeições de pacientes de acordo com parâmetros médicos.

Jogo da imitação

Para criar a tecnologia por trás dos braços robóticos, os movimentos e técnicas do chef Tim Anderson foram captados e armazenados em computador, estruturados e enviados para uma plataforma de simulação, na qual essas informações foram testadas e estruturadas novamente. Após essa etapa, os dados foram transferidos para a programação do robô, o código que o faz funcionar.

"Trata-se de uma interface entre humano e computador, que permite espelhar os movimentos e funções de um chef de cozinha. Nesse sentido [o Moley] é inteligente – é um algoritmo de aprendizado de máquina e, a partir disso, é possível repetir os mesmos processos de um profissional humano.", descreve o CEO da Moley Robotics.

Parque dos dinossauros e pizza 3D

Menos pretensiosa, mas, nem por isso, menos encantadora, é a Foodini, impressora 3D desenvolvida pela Natural Machines especialmente para imprimir comida. O projeto surgiu a partir de uma abordagem peculiar para um desafio já conhecido da vida contemporânea: comer de forma saudável e consumir alimentos frescos em uma sociedade urbana e acelerada. A diretora de Marketing e uma das fundadoras da empresa, Lynette Kumsca, declarou à Radar Móbile que, no futuro, a impressora 3D de alimentos deve se tornar tão comum na cozinha quanto o forno de micro-ondas é hoje.

A Foodini vem com cartuchos em aço inoxidável para o usuário preencher com seus próprios ingredientes frescos. É possível preparar receitas como massa de pizza, molho, biscoitos etc.
"O importante, além de os ingredientes serem frescos e sem conservantes, é que a empresa não obriga os usuários da impressora a comprarem cartuchos com comida pronta, é possível usar ingredientes próprios.", argumenta.

Para trabalhar com comida, a Foodini adaptou a tecnologia industrial de impressão 3D. O sistema tipo "seringa" usado para polímeros plásticos foi substituído por tubos de aço com válvulas de dimensões variáveis que permitem a impressão com alimentos de consistências e texturas variadas. "Já imprimimos hambúrgueres com pedaços de nozes cranberries, cuscuz com pedaços de vegetais e não foi necessário transformar nada em papinha para bebê.", brinca Lynette.

Segundo a diretora de Marketing, seu prato favorito feito com a impressora é a quiche de espinafre em forma de dinossauros por causa dos dois filhos, de cinco e sete anos, que normalmente reclamam na hora de comer verduras, mas aprenderam sobre os ingredientes e se divertiram fazendo a massa com a mãe em casa.

Limites da tecnologia

Ao mesmo em que mostram possibilidades para o futuro dos eletroeletrônicos da cozinha e para a própria noção de 'casa inteligente' como tendência de automação dos ambientes e das tarefas domésticas, tanto o Moley quanto a Foodini apresentam limitações no horizonte próximo por conta do que o desenvolvimento tecnológico atual tem a oferecer nos campos da robótica, inteligência artificial e internet das coisas, por exemplo.

Mark Oleynik, da Moley Robotics, explica que o robô que prepara o jantar e ainda lava a louça aparece, neste momento, muito mais como uma peça conceitual. "Quando construímos o protótipo, não foi exatamente para explicar, mas para mostrar que essa tecnologia é viável. Hoje, ninguém ao ver [o Moley] diz que é impossível, apenas que é difícil.". O idealizador do chef robô ainda relativiza a noção de inteligência artificial: "inteligência não é algo exatamente lógico, mas o algoritmo de auto aprendizado é. Não se trata de inteligência real. Por exemplo, quando se cria um prato, não há tanta lógica ali – há muita emoção e habilidade. A inteligência associada a cozinhar vem da habilidade, da capacidade de sentir e testar. Por isso, creio que a capacidade do chef ainda é o principal, é ele quem vai criar as receitas novas", pondera.

Já no universo da Foodini, Lynette Kumsca fala abertamente sobre o grande empecilho para a impressora 3D tornar-se um eletrodoméstico para o público final – a incapacidade de cozinhar, fritar ou assar a comida após a impressão. A diretora de marketing afirma que a Natural Machines já está testando uma versão com essa funcionalidade, mas não arrisca uma data para o lançamento no mercado; "não é daqui dez anos, mas também não será ainda este ano. Claro que queremos desenvolver o quanto
antes, mas novas tecnologias e
equipamentos exigem especificações e regulamentações.", esclarece.

No entanto, a impressora já faz sucesso nas cozinhas de restaurantes, onde consegue atender ao ritmo acelerado de pedidos entrando e refeições saindo. Por um lado, a impressora é capaz de criar belos desenhos para a apresentação dos pratos de formas que um ser humano não conseguiria fazer ou repetir, por outro, deixa os profissionais livres para cuidar das tarefas que precisam de atenção e sensibilidade. “Os chefs profissionais enxergam a impressora como um eletrodoméstico que ajuda a acelerar o trabalho, e sempre há algo mais importante a fazer na cozinha do que enrolar palitinhos de pão ou qualquer outra tarefa automática.”, resume.

Por uma vida menos ordinária

Tanto o Moley quanto a Foodini são olhares conceituais sobre um futuro próximo e possível do que podem ser a cozinha e a casa, e sobre os estilos de vida e relações interpessoais que se desenvolvem nessas circunstâncias. Apesar de ter sido pensado para o lar, Mark Oleynik conta que a versão de uso comercial do Moley foi projetada, e comenta sobre a possibilidade de uso em restaurantes, buffets e cadeias de fast food: "definitivamente [o Moley] permite evitar atividades não só maçantes, mas perigosas. Com certeza é um dos fatores que torna a robótica tão útil e eficiente em diversos ramos industriais atualmente.", afirma.

Já Lynette, da Natural Machines, revela o potencial latente da impressora 3D como muito mais do que um eletrodoméstico excêntrico: "é um dispositivo da chamada 'internet das coisas' – conectado à rede e com sensores que permitem várias coisas divertidas.", aponta. Um exemplo é que se a máquina sabe qual o ingrediente e a receita, ela pode imprimir uma sobremesa de, no máximo 200 calorias, se o usuário quiser. No futuro, a impressora também poderá se integrar a dispositivos portáteis. Lynette descreve: "digamos que o celular ou outro acessório indique que o usuário irá correr naquela manhã. A impressora pode imprimir um café da manhã adequado para esse nível de atividade. Isso ainda não existe hoje, mas passará a existir quando aparelhos portáteis forem mais inteligentes, e eles serão".

A palavra-chave que parece reger as mudanças propostas para eletrodomésticos do futuro é sustentabilidade

Os avanços tecnológicos permitiram uma enorme evolução nos eletrodomésticos nos últimos anos. Estas mudanças, para a arquiteta do KTA Arquitetura, Ana Cristina Tavares, variam de acordo com as necessidades dos consumidores. "A rotina puxada, bem como a demanda pela praticidade e as práticas de cozer cada vez mais integradas aos momentos de lazer da população estimulam as empresas de eletro a evoluírem."

Ana Cristina, inclusive, chama atenção do consumidor que, por sua vez, deve se refletir sobre desperdício de energia e verificar os selos de economia fixados nos produtos. "Todo o consumo classificado como 'A' representa os eletros mais conscientes do mercado, e assim por diante."

E esta evolução caminha para a praticidade cada vez mais em alta, mesclada com o consumo colaborativo e práticas sustentáveis, pontua a arquiteta. Qualidades estas que vêm sendo integradas pelas fabricantes e designers de eletros e parecem dirigir as mudanças para a cozinha do futuro. Confirma a seguir uma seleção que o Radar Móbile apurou dos produtos que vêm surpreendendo o mercado neste sentido.

Design futurista

A Electrolux Design Lab detém concursos anuais para a criação de eletrodomésticos com um novo tema a cada ano. Para a edição 2010, a proposta foi desenvolver aparelhos domésticos que possam ser utilizados em 2050 – quando o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que a população mundial deve chegar a 9,6 bilhões de pessoas. Assim, a ideia era criar soluções criativas para não só economizar espaço, como ser eficiente energeticamente.

Entre os finalistas, o Bio Robot Refrigerador, projeto do russo, Yuriy Dmitriev, usa a luminescência para resfriar o gel de biopolímero – não pegajoso – e manter comida na temperatura adequada. O gel engloba os alimentos um a um e não deixa cheiro no ambiente. Quatro vezes menor do que um refrigerador convencional, o produto pode ser utilizá-lo pendurado na vertical, horizontal e até no teto. Além disso, conta com diferentes tamanhos que o permite compor os diversos espaços.

Outro protótipo que conquistou os jurados, desta vez no Prêmio Objeto:Brasil, é o conceito da lava louça Ciclo que dispensa o uso de água e sabão. O aluno do curso de Design da Universidade Anhanguera, Robson Pereira de Carvalho, foi contemplado na categoria Design de Produto, pelo desenvolvimento da lava-louças sustentável.

O projeto utiliza tecnologia de lavagem por dióxido de carbono. "O gás entra em contato com as louças e, ao chegar a certa temperatura, faz toda a limpeza em até 15 minutos", explica.

A ideia partiu de seu Trabalho de Conclusão de Curso, no momento em que o País enfrentava a crise hídrica de 2015. "Verifiquei que na pia da cozinha existe um consumo excessivo de água ao lavar a louça. Então pensei que seria uma ótima oportunidade realizar a mesma atividade, porém sem a utilização de água", conta.

Eficiência e versatilidade

Há 29 anos no mercado, a fabricante de purificadores de água e bebedouros, IBBL, aposta em um design inovador. A exemplo do purificador Evolux, lançamento da marca, que agrega modernidade e tecnologia com tamanho compacto, permitindo que se adapte com facilidade até em espaços pequenos.

De acordo com a marca, entre os diferenciais do produto, um refil bacteriológico CZ+7, que garante água pura e livre de bactérias trazendo mais saúde para o consumidor. A troca de refil inteligente oferece mais praticidade, com um Led que funciona como um lembrete: muda de cor na hora de fazer a substituição do filtro.

Além disso, conta com o botão Soft Touch, com acabamento emborrachado para um toque firme e suave, seja ao acionar a saída de água ou selecionar a temperatura ideal. Este modelo oferece três temperaturas: natural, gelada e misturada. A bica articulável permite encher diversos recipientes, como jarras, e a pingadeira removível facilita a higienização. Outro destaque segundo a IBBL, é o sistema de refrigeração que economiza até quatro vezes mais energia – quando comparados com produtos com refrigeração por placa eletrônica – para gelar a água na temperatura ideal.

Exclusividade em cada detalhe

A Linha Brastemp Gourmand reúne soluções para quem tem a cozinha como o ambiente mais criativo e exigente da casa. Entre as novidades, o refrigerador Brastemp Gourmand Side by Side. Sua principal característica é a conservação ideal de seus alimentos. Para isso, conta com o expert cooling, um sistema de refrigeração independente que evita a troca de ar entre freezer e geladeira e, segundo a empresa, faz com que as frutas e verduras durem duas vezes mais. Outro diferencial é o expert filter, um filtro que neutraliza odores e mantém os sabores das comidas.

Lançamento também é o forno elétrico de embutir Brastemp Gourmand, que possui alta capacidade (105L) e permite assar carnes grandes e diversos pratos de tamanhos diferentes, ao mesmo tempo. Além do design diferenciado, o produto conta com algumas inovações: um timer digital com três funções para programação, display touch e sistema de convecção para otimizar o preparo, evitando a mistura de odores e garantindo a distribuição do calor por igual durante o preparo.

A arquiteta e diretora executiva da Venax, Fabiana Bergamaschi, considera que, como qualquer equipamento, os eletrodomésticos evoluem constantemente através de dois aspectos: tecnologia dos materiais/componentes e hábito dos consumidores. Dentro deste contexto, a marca visa o constante desenvolvimento dos produtos e seu design para integrá-los com o ambiente onde serão inseridos. "Um dos fatores que ditam tendências estão os móveis, decoração e estilos que o mercado cria", frisa.

Fabiana acredita que o consumidor torne-se ainda mais prático, buscando facilidade de uso. "Vejo ambientes com espaços mais compactos e design mais autêntico. E nós, fabricantes precisamos estar atentos para dar opções a estes consumidores. Isto requer investimentos e pesquisa em novas soluções para integrar os produtos utilizando interatividade do usuário entre equipamentos à tecnologia em materiais e componentes e utilização de novas fontes de energia."

Para isso, desenvolvimento permanente em processos industriais, desenho dos produtos e eficiência de consumo. "O aperfeiçoamento da engenharia de funcionamento é permanente e a criação de produtos com energias alternativas e mais limpas são fundamentais", alerta.

Alta performance

Tecnologia, inovação e design fazem parte do portfólio da Electrolux. A marca acaba de lançar o novo fogão Blue Touch Nutrivapor 76DVX, com forno a gás capaz de cozinhar todos os alimentos no vapor. Segundo a empresa, a tecnologia prepara refeições mais saudáveis conservando os nutrientes dos alimentos. Ele tem dois fornos: um elétrico e um a gás, que permitem o preparo de duas receitas simultaneamente. No forno a gás, acontece a emissão de vapor que junto ao gás, atinge uma temperatura de até 280°C.

Um clássico da marca é o refrigerador Multidoor DM83X, com capacidade para 579 litros e três portas. O produto permite que o consumidor ajuste sua configuração de acordo com as diferentes ocasiões e necessidades do dia a dia. Possui o freezer na parte de baixo e portas assimétricas que facilitam a divisão e organização interna. Além disso, de acordo com a marca, oferece gaveta Horti Natura, responsável por preservar frutas, verduras e vegetais por até 60% mais de tempo se comparado às gavetas comuns, graças a um fluxo de ar controlado que evita a oxidação dos alimentos.

Design slim

A inovação na cozinha não se limita apenas nos eletrodomésticos. Os eletroportáteis estão cada vez mais agregando tecnologia à praticidade. A Cuisinart é um exemplo. Nas novidades da empresa, o grill Panini em aço escovado conta com design moderno e é extremamente leve. Possui chapas antiaderentes ajustáveis que permitem a total abertura, alça térmica, acabamento cromado, seletor de funções, duas placas (com canal de gordura e lisa), luzes indicadoras, dois botões de controle e temperatura pré estabelecida.

Outro modelo é o liquidificador em aço escovado Duet Cuisinart. O lançamento tem motor de 600W e sete velocidades. Seu copo em vidro temperado possui capacidade de 1,4 litros, tampa com vedação e lâminas afiadas que garantem a mistura rápida e corte preciso para os alimentos. Além disso, sua base é em aço inox e possui painel de controle com iluminação azul e funções: On/Off, High, Low, Ice Crush e Pulse.

Há ainda a torradeira para quatro fatias em aço escovado Cuisinart. Com desenho moderno e sofisticado, tem controlador de intensidade de um a seis, capaz de regular a cor do alimento e fendas mais largas projetadas para utilização de diversos tipos de pães. Além disso, botões específicos para cada tipo de preparo: Bagel para pães maiores e com casca; Defrost para descongelar e tostar pães; Reheat para reaquecer sem torrar e Cancel que interrompe qualquer processo.

Design e cores arrojados trazem beleza e status de living às cozinhas

Até pouco tempo atrás, os eletrodomésticos eram projetados apenas para cumprir funções de auxílio no preparo de alimentos, mas o fato de a cozinha constituir um espaço indispensável de sociabilidade fez com que o desenvolvimento desses produtos evoluísse.

Cris Paola, que atua como arquiteta em São Paulo há 27 anos, observa que mais tecnológicos e com forte apelo de design, os novos equipamentos são agora as vedetes da cozinha, seja essa gourmet, americana, integrada à área social por um passa pratos ou integrante da sala.

Daniela Cianciaruso, sócia da Díptico Design de Interiores, destaca que os produtos de embutir, além de serem esteticamente mais alinhados apresentam funcionalidade superior aos produtos "free standing".

Objetos de desejo

Para Daniela, cooktop e forno elétrico, geladeiras com 2 portas e freezer embaixo estão entre os eletros mais desejados.

Cris Paola nota que os eletrodomésticos e eletroportáteis coloridos conquistaram os clientes assim como as geladeiras com portas de vidro para visualização de bebidas e máquinas de fazer gelo. Para ela, têm forte apelo de consumo os fogões cada vez mais discretos e eletrônicos integrados às bancadas, coifas que parecem luminárias, adegas de vinhos, cafeteiras e churrasqueiras a gás.

"Os equipamentos coloridos maiores como fogões, freezers e geladeiras ainda apresentam valores mais altos para o consumidor final, o que faz com que muitos adiem o impulso da compra", pontua Cris Paola.

Além disso, Cris nota o esforço da indústria de equipamentos sofisticados em investir no branco para atender ao cliente que quer uma cozinha mais clean. "Já a linha inox e preta é composta por uma grande variedade de opções, ocupando o lugar de carro-chefe dessa mudança de status na composição das cozinhas", complementa.

Linha alta

Tecnologia, praticidade e design são os fatores que têm direcionado os lançamentos da fabricante de soluções para aplicações para água, a IBBL. A gerente de Marketing e Produtos da marca, Priscila Pinha, comenta que a nova linha de purificadores foi pensada para se encaixar dos menores aos maiores espaços. "O modelo Immaginare traz refrigeração por compressor em um produto supercompacto. Ou ainda, botões emborrachados no Evolux e LED que indicam a hora de trocar o refil em, pelo menos, três modelos: Evolux, Exclusive e Expert. Trabalhamos ainda com uma variedade de cores que possam combinar com as cozinhas mais modernas", ressalta.

Além de LED, os purificadores da marca trazem teclas de acionamento rápido, refil CZ+7 - que tem sete etapas de filtragem, sendo uma delas uma câmara de minerais que garante

a eliminação de 99,9% das bactérias presentes na água. De acordo com a IBBL esté é o único refil que tem ação bacteriológica e é eficiente para a purificação de até 3 mil litros de água.

Priscila frisa que o design agrega muito valor para os produtos e serve como diferencial de mercado. "Há muitas marcas que fazem entregas similares, porém o design de cada uma é único", analisa.

Segundo ela, o design harmoniza o produto no ambiente de forma a destacá-lo ou a deixá-lo discreto. "No caso dos purificadores, as cozinhas precisam ser funcionais e práticas, mas também não podem deixar de lado o cuidado de deixar o ambiente bonito", assegura.

Potencial de mercado

Priscila Pinha percebe que o Brasil ainda está muito distante de países europeus e orientais nos quais a preocupação com a qualidade da água é tamanha que já traz centrais de tratamento (filtração) de toda a água utilizada dentro das residências.

Daniela Cianciaruso observa carência na disponibilidade de produtos de alta linha branca no Brasil. Segundo ela, muita coisa ainda é importada e em diversos momentos há falta de produto.

A resposta da Eurocucina 2016 e da Living Kitchen passada foi bem clara: se de uma parte a tecnologia é um aspecto imprescindível, de outro o retorno aos materiais naturais e quentes é uma necessidade

Seguindo as normas

O aço inox das cozinhas profissionais aparece como uma recordação bem distante, a madeira de aspecto rústico retorna até às estruturas e mármores ou materiais compostos no estilo de Paperstone se aplicam as áreas de trabalho. A aparência da área de preparação dos alimentos se torna sempre mais linear e uniforme, justamente porque a pia e os tampos estão apresentados em um único bloco de material e porque os elementos, que comumente se destacavam (área de cozimento e espaço para acessórios, por exemplo), agora estão cada vez mais escondidos da nossa visão.

Nos pavilhões das mostras dedicadas à cozinha que visitei este ano vi bancadas de trabalho com espessuras importantes, que se movem rapidamente para fechar ou abrir-se sobre fogões de indução, sobre pias ou demais elementos da área de cozimento, sobretudo para esconder a desordem.

Uma das tendências que nasceu nos últimos anos, sobretudo pela evolução dos equipamentos de cozimento elétricos ou à indução, como os da SMEG.

E as ilhas fechadas das cozinhas contemporâneas observadas, principalmente na Eurocucina, se assemelham cada vez mais a monólitos (monoblocos), ou como prefiro dizer, grossos paralelepípedos futuristas, que ao seu desejo, se fecham e se abrem oferecendo mais espaço para circular ou para cozinhar, na estrada do que apresentou em 2014 o designer Giulio Iacchetti per Cleanup com o projeto Convívio. Tudo isso sempre junto das melhores opções hi-tech, geralmente com superfícies que se adequam à altura de quem as utiliza.

Nos materiais o onipresente aço inox disputa a centímetros a preferência pela madeira e materiais naturais como pedras, e até lava vulcânica. A madeira aqui tem oferecido nuances escuras, para complementar a tendência urbana ou loft. De outra parte, continuam fortes as cozinhas clássicas com possibilidade de convívio em living não descuidando dos apartamentos de pequenas dimensões, e aqui entra a grande maioria dos projetos do ano: dimensões pequenas para um perfil de público com orçamento limitado.

Ambiente multifunção

Também achei bem interessante o conceito de escritório na cozinha ou cozinhas para escritórios, já que esta hoje é uma realidade que não vai desaparecer tão em breve. Um lugar onde se trabalha mas se come, adequando-se aos novos modos de trabalho e de lifestyle. Em ambas as feiras, também vi a tendência da extrema personalização, na qual ao consumidor vem proposta uma larga, quase ilimitada, coleção de acabamentos, acessórios, materiais e modulação, justamente para poder oferecer uma cozinha que encontre o gosto específico deste indivíduo, deixando intocadas porém a elegância, o conforto e a alta qualidade nos materiais e processos.

A outra tendência forte é a cozinha 'alla festa de gala', ou seja, elegante em suas cores escuras, com materiais ricos, metais em várias tonalidades, como ouro e bronze, madeiras em tons quentes ou oxidados, preferencialmente, de origem exótica, com nenhum eletrodoméstico em mostra, o reaparecimento das vitrines elegantes em vidro fumê, e, as pedras naturais nos tampos, em substituição aos laminados plásticos.

Para finalizar, a tecnologia dos apps invade a cozinha: a tecnologia de vanguarda Home-Connect de Siemens e Bosch que permite controlar os eletrodomésticos por administração de forma remota - você pode ver o interior de sua geladeira através de uma videocamera e fazer o pedido do alimento que falta ao supermercado mais próximo. Tudo isso, antes de chegar em casa.

Ao final, pude identificar cerca de 7 produtos que ditarão as tendências da cozinha do futuro, para ficarmos de olho:

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